sábado, 22 de outubro de 2011
O amor é o que o amor faz
quarta-feira, 6 de abril de 2011
"Amigos são ícones da Alma"
Eu vejo anjos que se curvam diante de tão valioso bem. Belíssimos anjos que reverenciam a Deus quando aqui na terra o sorriso de cada uma de vocês é manifestado. E este também é meu alento de amor, meu prazer humano compartilhado com os anjos. Através de vocês, o divino me deu a graça única e intransferível de tocar o céu com mãos de carne, de tocar o céu com mãos humanas.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Momento Entrevista

Sem explicação... apenas sinto!
Amizede para você é...?
Amizade é dar a vida por quem necessita! Amar com o sangue, ter prazer com a alma.
Toda ação, tem uma reação. Mas que ação te faz ficar sem reação?
Prefere morena ou loira?
Prefiro a que for para mim! ^^
"Porque todas as estrelas estão desaparecendo,apenas tente não se preocupar você as verá algum dia.Pegue o que você precisa e siga seu caminho e faça seu coração parar de chorar" (Oasis ) . Em buscar do que te faz bem ou o que te faz feliz ?
Buscar um bem ou uma felicidade nunca foi o meu forte, não que eu não tenha capacidade para isso, mas eu prefiro engravidar dessas duas belezas em momentos inusitados. A felicidade é mais autêntica e saborosa quando não se espera por ela. Sou um barco amorosamente à deriva rumo ao desconhecido, um cais não é meu destino, é apenas parte da jornada. O mar é paradoxalmente a terra onde muitos decidem fazer morada, e no roteiro das minhas viagens, sempre avisto bens ou felicidade que me fazem explorar ainda mais o que é desconhecido dentro de mim.
Incrível a capacidade de algumas musicas desencadearem sentimentos adormecidos, esgotados e egoisticamente inacabados. Musicas Traduzem tais Sentimentos ?
Música é por excelência divina um elemento nostálgico. As músicas sacralizam a verdade do que nós fomos num determinado instante, seja ele bom ou ruim. O homem que se propõe a sentir, deve ser amante da música. Não existe instrumento tão divino e ao mesmo tempo tão humano capaz de tocar aquilo que só a alma não esqueceu. Eu diria que música traduz não somente os sentimentos, mas principalmente os momentos dos quais não queremos nos despedir.
Uma música ?
Sua i eyrum - Sigur Rós
"Contento-me facilmente com o melhor". O que é o melhor para você?
Com certeza a felicidade das pessoas que eu amo. Se Deus me presenteasse com um desejo pronto a se realizar, eu pediria felicidade às pessoas que fazem parte de mim!
Não gosto da pretensão de impor uma verdade umbilical, uma verdade que não olha para os lados e descarta o "sem-valor". Hj existe muita intolerância e pouca experiência de alteridade, do conhecimento do outro. Existe uma verdade que não precisa ser vivida ou provada para que ela mesma exista, que independe das nossas ideologias e conceitos baratos. Acredito na verdade do sofrimento que retira o homem de uma visão tristemente provincial.
Por que te amar é inevitável? (Essa foi a Manuh ^^)
Talvez porque me preocupo com a verdade do sou(incluindo meus limites e defeitos) e busco revelar isso às pessoas. Só amamos as pessoas comprometidas com a verdade do que elas são, e a minha verdade belíssima é ser o humano que sou, talvez por isso eu tenha o privilégio de ser amado por vc!
O que mais tem medo?
A felicidade é INATINGIVÉL?
Ouvir música e olhar fotografias antigas. Música e fotografia são coisas tão poéticas. Revelam coisas que as palavras não decifram! As fotos são inspiradoras, porque carregam a idéia de um momento eternizado. O retrato contempla a bela cena dos momentos que não mais são. Ao escutar uma música pela primeira vez ou quando tiramos uma foto com as pessoas amadas, desejamos no íntimo que aquele momento não passe. O homem tem desejo de imortalidade, as fotos e as músicas retratam isso!
Quando você vai me contar , quem é o seu amooor ?(essa também é da manuh ^^)
Meu amor não é uma pessoa, pq quem eu amei não existe mais, mas tão somente sua imagem desfocada. Amo sim os meus sentimentos pq tenho sido fiel a cada um... amo principalmente minha forma de ser fecundado por esse mistério que ainda carrego. O amor é esse deixar-se fecundar sem buscar resposta alguma. Amo gozar deste mistério com ar de despedida. Esse é o meu amor, o meu prazer. Não tenho um amor... sou sim um sentimento sem fim!
Acho que o medo é nato dos humanos. O medo coloca os nossos limites à mostra. O que seria de nós sem o auxílio das coisas que nos causam medo?
Costumo dizer que minha linguagem é poética, mas infelizmente não sou poeta. Se eu pudesse escolher uma vocação, seria essa, porque os poetas retratam os sentimentos com a magia das palavras. A vida é essa mística infinda, é poesia de Deus feito matéria.
Entrevistadoras: Manuh, Rayane, Maria Félix, Mara e Gisele. ehehehehe
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Carta aos amigos ausentes

Se ao menos por cartas o homem percebesse o avesso do que as pessoas aparentam... se ao menos pelas palavras escritas as pessoas conhecessem o que me move e o que me deixa estático... se ao menos nas palavras passeássemos efetivamente por entre os segredos de um coração amigo... talvez as pessoas entenderiam o que de fato é valor, reformulariam suas prioridades e viveriam com prazer as idiotices de um último dia. Hoje os reencontros perdem gradativamente a magia da redescoberta e da reinauguração. E incrivelmente ainda me sinto fecundado com esses poucos momentos hoje cheios de respeito humano. Na verdade, eu me sinto invadido por pessoas que hoje eu penso não conhecer tão bem assim.
Com incompreensível distância, eu aprendi que a pior tarefa do dia é sempre me refazer da imortalidade alheia. Aprendi que as pessoas se tornam importantes por seus méritos, porém, não espero que assumam com prazer seus devidos lugares em minha vida. Aprendi que os sentimentos são demasiados até o momento em que a morte refuta o que julgamos ser o melhor rótulo para a forma alheia de amar: de exagerados em vida a intensos após a morte. Aprendi que, quando normal, neguei a verdade que diz ser a vida apenas uma grande despedida, imperceptível à maioria, fragmentada em seus dias, meses e anos. O homem nasce para sentir com um prazer estranho o gosto da própria efemeridade: "Quem sabe que o tempo está fugindo, descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será." Hoje trago essa verdade comigo e me convenço de um tempo cada vez mais fugaz!
Já não tenho tempo para a despercebida morte-nossa de cada dia, abraçar a vida ainda é a minha melhor loucura. Por isso a importância de ser tão intenso, tão cheio de amor, de escrever cartas e contar histórias às pessoas. Sou paradoxalmente um exagerado na medida certa, e hoje o meu desejo exageradamente belo é fazer com que SINTAM! Sintam que o que move o meu mundo são os sentimentos que tenho ofertado num tempo onde as amizades se descobrem apáticas ao amor. Sintam que as minhas relações se tornam sagradas no exato momento em que o interesse pelo outro nasce timidamente, cresce com constância e me transforma no milagre de pertencer a alguém.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Humano amor
Dos tantos papéis encarnados em teatros particulares, nenhuma atuação seria tão digna de aplausos quanto nossa humanidade. Tenho mania de superestimar meus amores e demasiar o grau das minhas relações sob um jogo intenso de cenas diárias. Grandes mestres fizeram da vida um teatro de fortes relações sem garantias de aplausos, nas juras de eternidade, nas promessas de onipresença. Infelizmente, uma vez convencionados, é na morte que convertemos nossas omissões em desenfreadas e tardias homenagens as pessoas que amamos, armados de aplausos cheios de glória, protagonizados por corpos sem vida. A morte é repleta de silenciosos rituais xamanísticos: momento de rogo às forças desconhecidas por uma oportunidade reparadora que jamais será ofertada.
Dizem que por amor fabrico deuses com feições humanas, adorados em altares de dor e forjados além das águas do Estige. Não, não tenho a pretensão de transformar o que estimo em objetos de adoração, apenas celebro a vida esperando humanidade de quem aprecia o que é sagrado nas relações. Criticam-me por ser despojado de prioridades não-padronizadas, e em meu teatro de grandes verdades, mais vale os sentimentos intensos a relações ajustadas aos protocolos de convenção.
Minha humanidade é um legado às pessoas que insistem em sobreviver, que subestimam o poder das relações e se tornam indiferentes ao espetáculo de uma cumplicidade sadia. Trago junto à alma a estranha sabedoria de miracular meus sentimentos para ofertá-los com perfeição a quem amo. As pessoas deviam ter tempo para sentir como quem se despede, como quem anuncia uma partida definitiva, talvez assim descobririam que “deuses” são bem melhores quando sangram, quando repletos de mortalidade por se tornarem essencialmente amantes e prisioneiros do ultimo dia.
É preciso de alguma forma viajar até o fim das nossas histórias e reconhecer a importância dos momentos que não foram vividos. O amor tem urgência em ofertar os simples encontros e reencontros à eternidade de instantes passageiros. É preciso ainda abandonar a ilusão corriqueira de imortalidade e perceber que o amanhã não nasce para todos, porque a morte é a coisa mais triste para quem fica, porque a morte é gloriosa para quem parte, porque a morte.. sim, a morte, é da mesma substância de cada uma das nossas ausências.
p.s: Dedico este texto à Samara da Paz, que partiu enquanto eu o escrevia.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Meu "Prazeres"

Mãos delicadas de mães que abençoam
Minha miséria X Minha Senhora
Respirar...
Jornalismo
Um sentimento: Suõ í eyrum
O revés do parto
Amizades constantes
Amigos distantes
Amigos que regressam
Solinhos do Ulisses
Abraço demorado e Incomparável
O abraço de quem nunca abracei(Brito)
Brincar na lama
O inusitado
Eternidade e Imortalidade
Uma folha em branco
O silêncio da madrugada, o prelúdio para um dia bom
Catar conchinhas
Memórias
Sete
Meus filhos, meu livro e minha árvore
Humanidade
Divindade
Esperança: Mãe Maria
Rubem Alves
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
UM RISO EM CENA

Luzes apagadas e cortinas abertas. Típicos e tradicionais indícios que anunciam o início das grandes peças teatrais, neste caso, um espetáculo dado pelos versos de um imortal da nossa música: Chico Buarque de Hollanda. No telão o aviso “Por favor, desliguem os celulares.” Mas antes, como se não bastasse, o personagem de um faxineiro anfitrião reitera o pedido insistentemente para se assegurar de que nada vai quebrar a magia dos instantes que virão.
Um canhão de luz atravessa o teatro lotado e invoca o primeiro ato da noite. Tudo perfeito. O roteiro ganhava vida nas interpretações. Olhares fixos, impostação de voz impecável, gestos e expressões à altura dos versos declamados, momento exato para arrancar algumas palmas. Mas o inusitado entra em cena: a risada de uma criança da platéia invade todo o espaço e rouba do público os aplausos tão cobiçados pelos atores. Motivo? “Que risada graciosa! Que risada linda!”, comentários compreensíveis no momento, desde que o “espetáculo da menina que rir” não fosse alimentado por quem tem Sai de Baixo e Toma Lá Dá Cá como únicas referências teatrais.
O jogo de cintura dos atores foi um espetáculo à parte. A criança, mais esperta que o público, soube prender a atenção de todos por muito tempo. Já não se esperava versos impressionantes, mas sim a risada de uma criança que faz rir. Sobrou para quem estava no palco a difícil missão de reverter a situação, e usando o velho clichê de que tudo em excesso faz mal, as risadas da criança cessaram por falta de atenção. Tarde demais, a peça chegava ao fim.
Os comentários inconvenientes persistiam fora do teatro. Nos degraus da fachada do velho Gullar, em meio ao público ainda agitado, nosso querido Chico foi trocado por elogios à infante “estrela” da noite: “Vocês ouviram aquela risada engraçada? Deu até vontade de levar essa criança para casa.” Aqueles que não disfarçavam o arrependimento pelo tempo e dinheiro perdidos, e ainda desacreditados dos instantes que passaram, reclamavam em tom baixo com o balanço de cabeça em sinal de negação. A noite terminou com e insatisfação no rosto de quem aprecia um bom espetáculo teatral, diferente do largo sorriso de felicidade daqueles que elegeram a diversão infantil como principal atração.
Quando se tem um público que troca a seriedade de uma peça por um punhado de risadas fora de hora, os avisos de silêncio são insuficientes para conscientizar as pessoas de que o teatro é um local sagrado, muito mais quando o que se está encenando são versos de um gigante de sobrenome Hollanda. Fica uma dica de aviso como prevenção contra personagens fora de script: Por favor, desliguem os celulares e as crianças cheias de graça.
Imperatriz tem dessas coisas.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Devaneios

Amo-te com infinito amor, no mais perfeito dos sonhos que ainda posso realizar, nos sentimentos vivificantes de uma paixão desmedida, sem igual. Amo-te nos sofrimentos das despedidas, na alegria dos raros instantes, na inconformidade do pouco tempo que nos dedicamos, na certeza de sempre existir um possível reencontro. Amo-te.
Amo-te com amor indizível, em ordem de batalha, pronto e disposto a desafiar os piores temores do homem. Amo-te em prontidão, às ordens de romper um laço que ainda nem se formou, pronto a perder - por você - o que eu nunca tive ou terei.
Amo-te com a força da primeira vez, quando o mundo passou de comum a incomum, quando o que procurar estava sempre a minha frente. Amo-te com desejo, como a força violenta das mais belas torrentes das águas e na simplicidade das suas nascentes.
Amo-te no sigilo e nas virtudes do “ser amigo”, na obra prima de Deus chamada mulher. Amo-te além dos limites que nos são impostos, além das circunstâncias que nos privam da plenitude, um do outro. Amo-te na beleza de um céu que ainda nem conheço, com o privilégio de saboreá-lo previamente, não por excelência ou méritos, mas pela misericórdia de um Deus que me permitiu contemplar-te.
Amo-te no silêncio que habita entre nós, na inconstância dos meus passos por não saber até onde posso ir. Amo-te na incerteza de cada conquista e principalmente nas conseqüências das difíceis decisões. Amo-te na promessa de nunca ousar uma aproximação, na esperança de ser este o tempo certo, após tanta espera, para te fazer plena mesmo sendo quem sou.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Invasão!

Obrigado pelo presente!
"Viver ....
Deixar-se enganar por aquilo que você pensou que era verdade, não é um erro, mas sim aproveitar o momento em que você pensava ser verdadeiro. Aventurar-se em sonhos é o perigo mais seguro a se correr. Aprender com o que errou é ter capacidade de entender a vida como ela é.
Amar, correr riscos e ser criança é sonhar com uma vida sempre mais bela, é deixar-se levar pela brisa do pôr-do-sol e um saber aproveitar cada segundo como oportunidades que a vida oferece.
Amar, se apaixonar, ser feliz, brincar, sonhar ... é a melhor prova de que vale a pena viver. "
Texto e foto: Izabela Sarmento.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Recordar é SENTIR!
Somente a boa lembrança me faz mais próximo de quem amo. Nem mesmo a saudade é mais forte que esses momentos recheados de imortalidade, partilhados generosamente. São retalhos de lembranças que compõem o que é nostálgico em mim, essa beleza de ter pertencido a alguém, a beleza que me convida à felicidade e que não encontra em mim resistência alguma.
Somos metades que, embora distintas, fazem parte de um mesmo universo. Somos metades que se completam na particularidade do que se faz novo a cada momento. Somos metades que registram lembranças no vazio que há em nós, certamente a ausência que temos do objeto que nos completa. Somos metades desejosas de um tempo ao revés, na busca incansável de reaver o que já não temos e, sem perder mais tempo, gozar das coisas que ainda estão por vir. Metades se tornam “um” pelo desejo de uma vez mais...
Tudo o que é eternizado na alma passa pela experiência do “mais uma vez...”. Acredito num mundo onde recordar não significa necessariamente sofrer. O conforto da velhice mora justamente nos signos adquiridos pelas experiências em vida. A memória dos velhos é um lugar cheio de saudades... daí minha ousadia ao admitir meus 76 anos vividos... é o que trago de mais insano, admito, mas encaro isso como um desafio aos paradigmas deste mundo.
A figura de um velho tem um ganho especial de eternidade. Sim, suas memórias dão sentido às histórias que não mais são, que ainda resistem ao tempo sob a forma de imagens incorrutíveis, auto-sustentáveis.
Eternidade é na verdade a lembrança que desassossega a alma por ser ela parte do lugar ao qual se quer voltar. Não sou um velho(ainda), mas me sinto como um. Sou um ser dotado de uma nostalgia sem fim.
domingo, 6 de setembro de 2009
Sentir . . .
É na lealdade aos sentimentos oferecidos que descobrimos o que a felicidade traz de tão impressionante à figura humana, especilamente às amizades que tecemos. Com o coração altruísta, que escreve suas histórias com peso do próprio sangue, descobrimos o valor dos sentimentos que o bixo-homem insiste em selar com preconceitos repugnantes. É presunção pensar que a felicidade deve ser alcançada e aprisionada a qualquer custo, quando na verdade gozar de um sofrimento mínimo é um privilégio gigantesco para poucos que sabem saboreá-lo.
Os sentimentos se tornam ainda mais humanos quando sujeitados aos momentos imprevisíveis, o que me faz questionar os segredos da vida quando dois amigos sentem o mesmo um pelo outro antes mesmo de se conhecerem. Talvez essa resposta venha por conseqüência de tantas outras. Talvez a amizade verdadeira seja imortalizada por esses momentos inusitados, com pessoas inesperadas, de sentimentos constantes e de uma forma surpreendente.
Sou fascinado pela idéia da descoberta, de ser o primeiro a me enxergar nas amizades construídas sem o fardo de um mundo cheio de pressa e responsabilidade, um mundo sem tempo para os sentimentos humanos. E são nas amizades recém-nascidas que o tal bixo-homem pode reaver o gosto pelas causas humanas, justamente porque suas histórias ainda não foram escritas.
. . . viver o inusitado que o dia nos impõe . . . narrar belas histórias de fidelidade às causas do coração nas páginas escritas em vermelho: o sangue que traduz o sofrimento para muitos ainda tão alheio, sentimento merecedor de atenção, tão humano como outro qualquer.
Foto: Amanda e Emanuelle.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
O velho venerável e seus caminhos

Ao meu velho cheio de sabedoria...
Bom construir altares mesmo aos 76 anos. Em meu altar particular, o velho sábio ainda dita suas regras incomuns e sob o molde da loucura dá voz ao passado que insiste ser real. Parece gozar do infinito enquanto espera sua morte cheia esplendor; sabe do mundo e seu eterno estado crepuscular, certo de que o amanha sempre virá(que presunção).
A noite escura reduz a nada a falsa segurança, prova que existência por si só é tão volátil quanto à fumaça que se desfaz pelo ar. A noite escura vem devagar e traz a lembrança assustadora do tempo sempre soberano. A noite escura é isenta de malícia, foge do senso comum e do preconceito de mortais que enxergam apenas seu instrumento de dor. Ao contrário, em seu toque também existe glória, sim, a glória da reconciliação, do fascínio pelo perdido... a glória de tesouros que escorrem pelas mãos.
Bom ser este misto de insanidade sem o infortúnio da preocupação. De alteres intransponíveis a delicados castelos de mim. O melhor refúgio está em suas cúpulas de cristais justamente por serem tão frágeis à dor. Nelas estão guardadas as lembranças que compõem o velho de cabelos brancos e pele enrugada à espera da morte amiga, descobrindo o valor do que é ausente nas oportunidades inusitadas. Talvez seja este o momento exato para refazer suas histórias... do triste “adeus” ao “ainda estou aqui.”
Vivo de altares e em castelos vazios à espera de um milagre imperfeito que me traga devaneios. No altar da minha imperfeição, as crianças, sacerdotes do instante, realizam seus rituais de inocência sem regras: transformam o absurdo em brincadeira; em meus castelos ínfimos, nenhuma lágrima traz a comoção pela figura de um velho que muito sofreu, pouco amou e nada cresceu. A loucura é o sustento dos sábios.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Meu amor é assim....
Sei que o desafio maior é participar integralmente do manjar que o próprio Senhor nos prepara, pelos méritos de verdadeiros filhos que souberam derrotar a magnitude do tempo na paciência, na espera em Deus que é atemporal, estabelecido na eternidade:
Amor que constrói, que refaz, que renova e que transforma. Amor-razão, amor-loucura, amor-sacrifício, amor-espera, amor-renúncia. Amor que ensina com o silêncio a esperança de cada dia, que insiste em ser ingênuo por ser humilde e “simplório”.
Amor que me abrasa, que me fascina por sua veemência; que me compraz nos tempos errantes. Amor dos poucos e restritos momentos. Amor dos instantes eternos. Amor leal à ordem regente dos acontecimentos.
Amor que nada quer para si e que torna todos um só; que faz emergir dos piores corações a bondade já esquecida; que me faz sempre mais humano na abundante graça de ser divino.
Amor irremediável, infindo, sem par. Amor que me apraz e que me convence em ser melhor; que me renova as forças e que me faz amar irrestritamente a Verdade e a vida na beleza do inconstante e do eterno.
Amor que conduz, que me inspira, que me transforma ousadamente nos sonhos de Deus; que me translada às maravilhas da imortalidade; que me destina ao privilégio dos santos, e principalmente ao colo da minha doce e amada Senhora, Maria Santíssima.
Queria amar menos, mas não consigo.
Obrigado por tudo.
sábado, 21 de março de 2009
O trágico sem-palavras, minha inspiração.

Esse é um dos muitos mistérios que me compõem. Chego a pensar nos motivos das minhas abstinências literárias. Escrever para mim é cantar com palavras, é retratar os sentimentos que nascem sob a realidade do instante.
Parto do princípio de que toda a inspiração é obra e obreiro que desconhecemos. Albert Einstein chamou suas inspirações de “estalos” (eureca), atribuindo-as a um senso intuitivo. Eu prefiro defini-la como o assalto à ociosidade da alma para dar beleza e sentido ao incomum.
O que me veta os olhos da alma me faz amar a tragédia(nome que dou à beleza do efêmero). Um poeta sem palavras é a tragédia que faz nascer “estalos” que contradizem sua própria imagem. Aí mora o sentido de que as coisas imperfeitas têm seu valor perante o sofrimento. Minhas tragédias... quem ousaria entendê-las?
O instante trágico da vida é engravidar dos seus mistérios e aceitar o silêncio como única inspiração. Descobri ser mais feliz que a tantas mulheres “grávidas de primeira viagem”. Embora não gere filhos de carne, a vida tem me fecundado para dar ao mundo o fruto do assalto e da tragédia. Engravidar é um exercício de felicidade.
Por outro lado, com o perdão dos leitores conservadores, os últimos tempos têm sido para um tipo de aborto especial. O fruto que esperava não era legitimamente um fruto da vida. Fico a pensar se a Igreja julgaria tal ato como próprio para excomunhão, mas infelizmente o cânon católico não faz alusões sobre os “engravidados pela vida”, já que se trata de um caso que foge às discussões sobre ética e respeito humano.
A idéia de um amor interrompido me fascina pela sua condição de tragédia. Somente os poetas entenderiam o que se passa na alma de uma mãe quando, certa do que fez, sangra de saudades por um filho que não vai conhecer.
Sou o trágico sem-palavras, a inspiração de mim mesmo...
Sou um poeta e sua imagem imperfeita, desfocada, encantadora.
Sou o verbo sem ação, a palavra sem sentido.
Sou mãe cheia de leite, sem filhos para amamentar...
Sou mãe que faz ninar, que embala em seus braços o vazio, a sorrir diante do nada.
Sou mãe fascinantemente sem brilho, que busca a razão de ter negado, que deseja o não acontecido, sob as lembranças de um filho que poderia. . . poderia ter sido.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
O meu MUITO OBRIGADOOO!

Desta vez não quero postar minhas dores ou devaneios, quero unicamente agradecer a Deus pelo dom da vida e por ter me lapidado para ser o que sou hoje: VIDA!
Quero agradecer a uma mãe sempre presente, nunca vacilante, mesmo não merecendo um filho como eu. O Senhor e minha Senhora desceram “a fim de me livrar da escravidão, para me levar a uma terra boa, terra que mana leite e mel.”
Agradeço também aos amigos presentes, engraçados, sorridentes; aos amigos ausentes, sempre constantes na lealdade, na fidelidade e no amor. Aqui quero citar:
Ângela, meu sustento e meu sacramento fraterno. Izabella, meu melhor espelho. Nega Layane, minha cúmplice. Cynara, sempre incomparável. Meu amigo João, companheiro no sofrimento e na vitória. Socorro, irmã com perfeição de mãe. Sarina, a criança que quero que não cresça. Rowena, Natiele e Ariane, Hesed na minha vida. O Caminho, na pessoa da minha madrinha linda, Irmã Ágata.
Enfim, agradeço a todos os que se fazem presentes e que carregam um pedaço do que eu sou.
Amo todos vocês, sempre sempre!
Quem como Deus? Ninguem como Deus!
Salve Mariaaa!
Foto: Filme Patch Adams.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Sobre a aversão perante o inconstante . . . seus efeitos.

De onde vêm os ladrões de felicidade que rareiam o ar na ousadia de querer que não têm?
Por onde se constroem os montes que se abalam e a fé no que acreditamos ser real?
Quero o direito à constância de sentimentos que me faça acreditar mais uma vez. . . o direito de contemplar as dores que não sejam as minhas e atestar que o sofrimento não me é restrito.
Quero o direito de perder o foco, de não ter metas ou condutas que me separem daquilo que achei ser real e não fingido. Quero o respeito aos sentimentos que fazem de mim o que eu sou, na ousadia de ser único para o amor.
Quero o direito de contestar o homem na sua hipocrisia perante seu objeto de desejo, que ignora os lados e descartar o sem valor. Quero questioná-lo na sua tolice insana sob pretexto de sempre viver algo novo.
Quero o direito de repudiar a conveniência do meio e dissolver os padrões que fazem de nós apenas seus produtos, nada mais; o direito de perder a confiança sob a luz da razão que explique por que colher indiferença quando se semeia flores.
Quero o direito de ser mãe para gerar e cuidar dos “constantes” que são parte de mim, que fazem da vida um abraço demorado, firme e persistente.
Quero o direito à impureza das prostitutas, à leviandade dos “sem pudores” e à irresponsabilidade dos vadios. Quero andar de braços dados com o devasso e preceder os perfeitos no paraíso.
Quero o direito de me apaixonar mais uma vez, de ser louco pelo mistério do assalto. Quero amar meu ladrão com a persona múltipla de uma só face chamada amor.
Quero o direito à vida que me ensine que a melhor maturidade é não ter pressa de crescer, é perder o direito de ser homem inconstante na ingenuidade de um menino contínuo.
Quero plantar uma árvore, escrever um livro e ver meu filho nascer. Quero ser o velho sábio que ensine que o amor basta para o amor, que o acaso é sempre estéreo e que a constância da vida é boa demais para ser verdade.
Por fim, quero o direito a uma morte sem dor pelo legado do amor leal que um dia ofereci; o direito à imortalidade dos poetas e ser lembrado como quem muito amou com palavras quando não mereciam.
Que impere em mim o sentimento de dever cumprido ao escutar o acorde definitivo da vida.
Imagem: Internet.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
De volta à Terra do Esquecimento

Uma mulher sonhara com o eterno na felicidade dos pequenos que se exibiam sem pejo. Observava curiosa quando, no ritmo próprio das crianças, rodopiavam de mãos dadas para que o mundo girasse com elas. O zunido suave do vento e as hilariantes gargalhadas formavam a melodia do esquecimento, sem identidade, tempo e nem espaço. O culto à perfeição se fez por esse momento. Nada de tão especial, diriam os tolos “não-tolos”. Para os sábios, a chave de todas as coisas.
Foi na sabedoria que se aproximou com temor afim de não quebrar o encanto da figura. Viu que uma das crianças lhe parecia familiar e percebeu que o rosto que contemplava era o seu quando menina, sempre jovial apesar do susto.
Sob essa nova perspectiva, brincavam de contemplar a face um do outro, disputando inocentemente quem se perdia mais no olhar de quem. A mulher, agora menina, ousava questionar-se sobre a outra criança, diferente de todas com as quais estivera. Mas o jejum de palavras pouco durou, quando se ouviu na Terra do Esquecimento um sussurro que dizia: “eu te amo, mamãe!” Nesse momento os segredos volatizaram-se, e a senhora - menina saciou-se de uma eternidade sem fim.
A cena mais linda de um sonho de mãe é correr feito criança de mãos dadas com o próprio filho. As brincadeiras, os sorrisos, a inocência, a pureza.... que espetáculo! A mulher mais hábil na arte de sonhar, tão mais perfeita em realizar as quimeras de Deus, descobriu que seus sonhos são os dEles e os dEle são os dela.
Maria, feito menina, sonhou com o Deus menino ao penetrar nos sonhos do Altíssimo.
Maria, inocente Maria, brincou de ser feliz no paraíso para sonhar nossos sonhos.
Maria, pequena Maria, ensinou gente grande a não ter medo do escuro na doce dependência de Deus.
Maria, eterna criança, provou que a felicidade cabe na palma quando não se pensa em ser feliz, brincar o dia todo seria suficiente para isso.
Brincadeira de criança é um ritual de inocência sem regras, é o doce pesar da infância que sempre volta quando se brinca eternamente de braços dados com o amor.
De volta à Terra do Esquecimento. . .
Imagem: Internet.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Minha imagem, meu silêncio.

. . . na ausadia de me entender.
Fecho os olhos e imagino alguém. Logo percebo que a imagem não é outra senão a minha. E me pergunto por que estou ali, num estado de perfeição sem máculas como nunca ousei me imaginar; por que admiro a mim mesmo se há tanto tempo tornei-me repulsivo aos meus olhos. Queria fechá-los e poder imaginar alguém além de mim.
Como o absurdo do acaso que gera a vida sem o toque do divino, assim não aceito que tão bela forma tenha sido projetada sob pensamentos vazios. Não posso ser a arte perfeita de mim mesmo, muito menos a imagem de um acaso intrigante cheio de contrários! Que farsa é essa que ultraja minha verdade, que me revolta e me fascina, que me faz um relutante sem indícios força?
Não posso ser assim, feliz. Não posso ter um olhar que me inaugura e me faz novo. O olhar da pura alegria de minha infância, das lembranças já esquecidas e de desejos até então adormecidos. Por ele me vejo sonhar com o amor que não se perde, amor estranhamente constante que confronta a razão do meu passado-presente.
E meu estranho silêncio.... por que nada se ouve? Por que uma voz que cala diz mil verdades precisas? Um silêncio que tudo pode na impotência das palavras, que me remonta aos passos incertos daquele breve amor. É pelo silêncio como resposta que se abusa dos bons sentimentos, e por ele preferi o risco de sangrar a escutar a voz da razão. Talvez o silêncio seja o prelúdio de um amor tolo que teimo não mais viver. Talvez esse silêncio brade em forma de alerta e queira me fazer enxergar péssimas conseqüências quando se é ousado demais.
Mas um olhar que ama não pode carregar um silêncio que destrói. Como pode um olhar tão cheio de certeza dilacerar minha esperança pelo silêncio que escuto? Estúpida contradição, verdade fragmentada ou intuição certeira.
Importa somente que tão bela imagem seja a absoluta certeza de ter alguém de olhos fechados a pensar no melhor que eu sou: nostálgico e faminto pela doçura da vida.
A condição de sonhos possíveis é a saudade do amor que diz para onde quer voltar, que anseia ser a figura incorrupta na visão das pessoas que ainda nos amam.
Não quero causas que me expliquem . . . que tudo apenas aconteça.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Sobre a morte e a morientarapia!
O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida deum ser humano? O que e quem a define?
Imagem: Internet.
sábado, 4 de outubro de 2008
De sandálias nas mãos te esperamos...
Hoje quero dedicar a eternidade das belas palavras ao meu pai seráfico, ao pastor das almas tão feridas, ao Francisco relutante. Quem não se deixa seduzir pelo Cristo de hábito marrom, de olhar zeloso, penetrante e envolvente?
Meus irmãos ousaram um encontro pessoal com ele, e isso me fez pensar por que nunca pude ir também ao seu encontro. Carrego um amor sem explicação ou lógica humana. Perguntei a uma criança por que tanto amor no coração por seus pais. Docilmente me vi diante do mais belo silêncio que se pode testemunhar. Não existe resposta ao que é puro. Só uma criança poderia traduzir o que sente a alma durante um encontro de amor, e mesmo ela guardando a resposta, não saberia como revelá-la.
Meu mistério de amor se reproduz na cena de um filho que, ao saber que o pai logo voltará, corre com toda euforia em busca das sandálias do seu herói e ansiosamente o espera para calçá-lo depois de uma temporada de trabalho exaustivo.
Sou uma criança de vinte e quatro anos que espera o pai em prontidão, de olhar fixo no horizonte! Meus irmãos foram ao seu encontro, mas preferi ficar em casa de mãos dadas com minha mãe. Peguei suas sandálias em minhas mãos, para ter o prazer de calçá-lo e vê-lo descansar. Sou a criança que decididamente, enquanto o pai dorme, rouba suas sandálias e as esconde, na esperança ingênua de não haver mais despedidas.
O amor é o belo rito de esconder os calçados de quem amamos para não vê-los partir, mesmo com um adeus tão próximo e muitas vezes inevitável. O amor é também revelar nossos esconderijos secretos, e devolver as sandálias que não nos pertencem. O amor deixa ser livre, não prende para si. É sempre fácil admitir que despedidas sejam necessárias, porém, talvez nunca alguém entenda o choro silencioso da triste separação.
Critiquem minha visão infantil do que talvez possa ser um simples encontro com alguém tão mais simples. Rasguem minhas supostas palavras grosseiramente metafóricas, mas não me tirem o direito de calçar minhas mãos com as sandálias de quem tanto esperei. Não me tirem o prazer de esconder seus calçados para não vê-lo partir. Não busquem pistas ou rastros dos meus esconderijos secretos, nem enxuguem minhas lágrimas ao sentir que o triste momento de dizer adeus está próximo!
Não me façam entender que tudo isso seja necessário! Não quero!
No momento da partida, desejo chorar minhas lágrimas com o olhar fixo em seus passos cada vez mais distantes! Quero perceber que não cresci tanto assim ao calçar suas sandálias maiores que meus pés!
Enfim, quero perdê-lo de vista recostado na cintura de minha mãe e lembrar o que ainda é recente na memória. Quero sentir em meus cabelos os dedos maternos que consolam da dor profunda, no silêncio que diz: “filho, logo. . . logo logo ele vai voltar”
Imagem: Pe. Gilsom Sobreiro, Fundador da Fraternidade Missionaria O Caminho; com ele, Ângela e Eliane, membros de aliança.

